Analfabetos emocionais
Texto enviado pelo voluntária Sonia Kasper Faillace da autoria do Dr. Nélo Tombini, chefe do setor de psiquitria da Santa Casa, e publicado na ZH de 22/01
“Sempre que estamos desanimados, abatidos ou ansiosos, ficamos muito aflitos, tanto pelo sofrimento em si quanto em decorrência de não sabermos claramente a origem desse mal-estar. Por isso introduzo uma nova palavra – EXCORE (EXpectativa, CObrança e REssentimento) – para tentar estimular a reflexão sobre a origem de parte de nossos sofrimentos psíquicos.
Costumamos ter muitas EXpectativas em relação aos outros e ao que desejamos na vida. Muitas vezes, entretanto, fazemos muito pouco para realizar nossos dessejos e também não percebemos que os outros geralmente, não estão preocupados com nossas vontades, e sim com as deles. Não havendo preenchimento das expectativas, surge a CObrança (seja explicita, velada ou inconsciente), em relaçao aos outros. Como esses mecanismos não produzem efeitos positivos, ao contrário, vão abatendo a pessoa, o próximo passo é previsível: o REssentimento. Esse sentimento é uma ruminação que ataca a mente e se apodera dela, como se fosse um agulha que tranca num disco de vinil. Leva a um pensamento e a um sentimento obsessivos que mantêm esse sujeito paralisado.
Instalado esse mecanismo, fica-se prisioneiro desse ritual de pensar e sentir. A vida vai se tornando sem graça, sem criatividade e a pessoa vai adoecendo. Esse adoecimento se mostra por meio de sintomas como o abatimento, a raiva, a insônia, a ansiedade, a irritabilidade, com consequências danosas para o cotidiano. É importante que cada um de nós desenvolva uma certa capacidade de refletir sobre as coisas que não estão indo bem na nossa vida. Cuide para não se excluir da responsabilidade e ficar sempre olhando para fora, para o outro.
Eu costumo dizer de uma forma caricaturada, que as pessoas ainda são analfabetos do ponto de vista emocional. O que significa isso: é que sempre estamos buscando fora de nós as razões pelas quais nossas vidas não dão certo. Geralmente debitamos a culpa aos pais, aos chefes, aos companheiros, aos “ex” , a falta de dinheiro etc. Outra alternativa também tão doente quanto a primeira, é acharmos que nós somos culpados pelas mazelas dos outros. Nessa linha de pensamento, alerto para que tomemos o cuidado de não terceirizarmos nossa vida, ou seja acreditarmos que o outro nos fará feliz e resolverá nossos problemas. Também não acredite que a felicidade do outro depende de você. Não esqueça desta palavra nas horas de sofrimento emocional: EX+CO+RE. Pensem nisso e usem essas reflexões para 2012 possa ser efetivamente diferente.”
Sobre o Autor
Parceiros Voluntários
A Parceiros Voluntários é uma ONG gaúcha que está presente em todo o Rio Grande do Sul multiplicando através de milhares de voluntários seus conceitos e seus conhecimentos em benefício das comunidades em que atua.
Um comentário
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Denise Trovati disse:
Gostaria de fazer parte da rede de voluntários