Caminhos antibullying
A sociedade gaúcha já conhece os efeitos que a prática do bullying causa agora e causará nas crianças agredidas física, emocional ou psicologicamente quando entrarem na fase adulta e começarem a responder legalmente por seus atos. Se já não é simples formar uma pessoa sem esse tipo de trauma para encarar de forma responsável a vida em grupo, como será para alguém que traz consigo uma ferida na alma e que poderá investi-la em raiva e violência contra si mesmo ou contra o outro?
Acreditamos que há saída !! Existe um universo que não conhece esse tipo de agressão, onde as crianças e jovens vivem focadas em algo que apaixona, faz vibrar, as faz crescer: o voluntariado. A prática da RSI – Responsabilidade Social Individual não é algo somente dos adultos, e tampouco uma regra exclusivamente social. Seu conceito nos diz que “trabalhar os valores internos faz despertar na pessoa o seu verdadeiro valor, o que a torna mais ativa e socialmente transformadora do mundo ao seu redor”. O indivíduo se torna um ser integral, pois haverá sintonia entre o seu pensar, dizer, sentir e agir, sempre com o intuito da prática do seu desenvolvimento positivo, bem como o da comunidade em que está inserido.
Tomemos como exemplo a ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, programa de voluntariado para crianças e jovens. Nela se vive o auto-desenvolvimento, o espírito de equipe, novas amizades e se ajuda os outros, o meio em que vive e a si próprio. A criança e o jovem que se nutrem de valores humanos passam a respeitar a si mesmos e aprendem a se autovalorizar. Assim, naturalmente, estendem esse respeito e valorização aos outros. O caminho está naquilo que é plantado dentro das crianças hoje, porque é isso que vai gerar os frutos com os quais ela trabalhará o resto de sua vida.
O voluntariado é um caminho paralelo à qualquer tipo de violência, de abuso, de autoritarismo. Quando investimos nossa energia em um ato solidário, nos tornamos mais humanos porque trabalhamos com valores que trazem crescimento. E como nosso espírito se alimenta das nossas ações, nossa tarefa é escolher aquilo que é mais saudável e gerador de mais vida. A criança ou o jovem que têm autoestima alicerçada em bons princípios e valores nunca praticará o bullying ou qualquer outra forma de violência contra alguém e, se por ventura receber esse tipo de agressão, não se deixará afetar, pois sabe do seu verdadeiro valor enquanto um Ser Humano dotado das três inteligências. Especialmente o terceiro tipo de inteligência, a espiritual, que aumenta nossos horizontes e se manifesta na necessidade de termos um propósito positivo e digno para a vida.
Sobre o Autor
Maria Elena Pereira Johannpeter
Maria Elena é Presidente (Voluntária) da ONG Parceiros Voluntários, integra instituições como a Schwab Foundation, da Suíça, o Conselho Deliberativo da Federasul, o Conselho de Cidadania da Federação das Indústrias do RS e o Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.
10 comentários
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MARIA MARGARIDA BAGGIO DI SOPRA disse:
Maria Elena!
Que abordagem feliz essa sua que enfoca o valor da RSI!
Que maravilha os Seminários Internacionais que a Parceiros Voluntários promove a cada dois, desde 2002! A palestra da Noemi Paymal sobre a Pedagogia para o Novo Milênio foi matéria de estudo na formação continuada de professores e funcionários da EEEM Dionísio Lothário Chassot, de Tapera/RS
Como cidadã, agradeço-lhe pela vossa valiosa contribuição
no sentido de despertar “o humano e a amorosidade que nos caracteriza”, como diz Maturana. -
Reinaldo Bulgarelli disse:
Maria Helena, também achei este esta abordagem muito feliz por acreditar na capacidade das crianças e adolescentes de contribuirem para com a sociedade. Não são apenas público de nossos programas sociais. Podem ser atores importantes na transformação do mundo, a começar pela própria experiência. Também é feliz o artigo por tratar de tema tão em evidência e que raras vezes considera as próprias crianças e adolescentes como sujeitos desta história, sem retirar a responsabilidade dos adultos no combate ao bullying. Tudo que nos ofereça a vivência e o aprendizado do servir – servir aos outros, à sociedade – é inovador e torna as pessoas melhoras. Parabéns pelo artigo! Reinaldo
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Marco Antonio Perottoni disse:
Maria Elena:
Como os comentários anteriores só temos a parabenizá-la pela excelente abordagem em se tratando de trazer nossos jovems para a pratica da RSI, bem como o problema do bullying nas escolas.
Em recente evento do projeto Educar sentimos o sucesso do projeto das Tribos em escolas, outrora altamente problemáticas e que hoje são exemplos, muito em função do despreendimento de algumas poucas educadoras que tomaram a si a responsabilidade de trabalhar para o desenvolvimento da auto estima dos estudantes e a mudança radical na imagem da instituição. Estas educadoras efetivamente merecem os parabéns e todo o apoio que necessitarem para continuar a desenvolver este belo trabalho.
Mas também saimos um pouco frustrados pelo modo de ação de algumas professoras bem como o relato do comportamento dos pais e familiares dos alunos em relação as “obrigações” da escola. Sem me alongar conclui que é preciso implantar uma “Escola para Pais” e incrementar a conscientização de algumas professoras ou professores sobre o problema e despertar neles a RSI, sem dúvida um dos melhores caminhos para mudarmos este estado de coisas que estamos enfrentando atualmente.
Perottoni -
Catia mara Kister disse:
Perfeita as suas colocações acredito qeu nossa educação deve estar atenta para esse grande problema.
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Cleci Marchioro disse:
Participamos também desta semana, de muitos momentos e partilhas sobre o Bullying, não nos alegra esta realidade, aliás nos inquieta demais, quando 99% das escolas nos procuram e pedem ajuda para a Violência nas suas depêndencias e inclusive, sala de aula.
Sabemos que somamos esforços, neste processo sitêmico nesta comunidade que não se acomoda se os nossos filhos estão fora deste contexto de violência.
Como trabalhadora da Parceiros Voluntários tenho muito a a agradecer estes conceitos que extrapolam o papel e nos dão ferramentas para enfrentar estas realidades como estas que foram colocadas pelas mídias nestes últimos meses. Quero citar também a oportunidade brilhantemente colocada por nosso amigo e parceiro o Juiz da 2ª vara Criminal de Alvorada o Dr° Jose Pedro Eckert ao participar conosco do Projeto Educar que mostrou este cenário do Bullying para treze escolas da Rede Estadual de Porto Alegre e nós percebendo que nosso trabalho junto as Tribos com a Ação de voluntariado Jovem que poderá fazer toda a diferença nestas escolas atráves da RSI ( Responsabilidade Social Individual) escolas que abrem espaço para construir um espaço de mais amor e saúde. Quero agradecer suas palavras nesta reportagem. -
lau felipe grams disse:
Acho que entramos na mesma rede.
Dstantes, ¨ focamos o mesmo assunto. Pois meu trabalho no Curso de Educadores foi justamente este:
“Tribos antibullying infantil”
Isto significa que o universo realmente está dirigindo o nosso olhar para a criança atual. -
Marcia Regina Maschio Battistel disse:
Interagir com os adolescentes e jovens permite que valores sejam exercitados e fortalecidos. Quem é solidário, respeita a si mesmo e aos outros, não cometerá práticas discriminatórias. Investir na gurizada tem retorno certo: conscientização e cidadania.
Muito oportuno o artigo “Caminhos antibullying”. -
Carlos Alberto Barcellos disse:
Cleo Fante foi uma força inspiradora na construção de uma cultura antibullying. Autora do livro ” O FENÔMENO BULLYING- EDUCAÇÃO PARA A PAZ “, tem motivado inúmeras experiências de práticas para romper o preconceito recorrente- o bullyng. O Rio Grande do Sul é uma estado abençoado por possuir uma resposta ATIVA e EFETIVA para romper o cinturão da cultura da violência. TRIBOS como grupos, TRILHAS como caminhos e CIDADANIA como inserção comunitária é a RESPOSTA da Parceiros. Ninguém com maior autoridade para escrever sobre isso do que a Maria Elena. Somos partes de um grande exército a serviço da humanidade. O mundo carece de espiritualidade e a juventude faz parte desse projeto. CAMINHOS ANTIBULLYING merece uma reflexão coletiva rumo a novos tempos construídos no presente. Nossa melhor resposta é NOSSO ENGAJAMENTO comunitário. Aliás, a única forma de praticarmos a provocação desse artigo. Divulgue, fomente paz e crie mutirões de vida. SEJA PARCEIRO.
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Alexandre Lemos disse:
É isso, vamos nos unir para construirmos um mundo melhor!
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Sacolas Ecologicas disse:
todo trabalho feito com crianças e adolescentes é de grande valor