O pior analfabeto é o analfabeto político

Bertolt Brecht é o autor da expressão que dá título a essa crônica.  Estamos entrando num segundo semestre letivo importante para a compreensão de palavras sérias como  política. É tempo de eleições. A propaganda está nas ruas, desafiando nossa sensibilidade para perceber a diferença entre o projeto eleitoreiro da hora, da ação construtora do bem comum. Tempos importantes para trazer o jornal para dentro da sala de aula. Ensinar a pensar na ótica de comparações entre planos de governos. A escola se prepara para abrir espaços de formação de leitores sociais.

Nessa alfabetização política é fundamental que a juventude, muitos votando pela primeira vez, possa identificar que candidato, partido ou plano de governo teve o cuidado de pensar com seriedade em políticas públicas para a infância e a juventude? Será preciso um olhar crítico sobre esse tema. Temas candentes como gravidez, drogas, mundo do trabalho fazem parte da vida de nossos jovens cidadãos. Muitas vezes nossos alunos fogem do debate crítico sobre política ao verem o desencanto estampado nas manchetes de todos os meios de comunicação. Se tudo não passa de “sujeira para todo o lado”, porque devo pensar seriamente em quem irei votar ou para quê devo votar? Sim, essa é uma realidade presente no meio de uma juventude a procura de modelos. O exercício do poder a serviço do bem comum é o único critério capaz de encantar uma população que cresce ouvindo palavras que machucam a alma cidadã: mensalão, dinheiro nas cuecas, propina, compra de votos, troca de partido, etc.

Alfabetizar politicamente é garantir uma escola democrática a olhar a pluralidade que estará postas nas próximas eleições. Essa é uma tarefa a ser construída em mutirão, engajando educadores de vários conhecimentos. Um olhar muito especial deverá ser dedicado ao primeiro voto. Um encontro de formação com esses jovens, por exemplo, contribuirá na formação do juízo crítico, um olhar alfabetizado sobre as múltiplas facetas que envolvem uma eleição: conhecer quem são os candidatos, sua história de vida, a história do seu partido e suas alianças, seus planos reais para temas como ecologia, educação, guerra no trânsito além dos já citados nesse artigo.

Alfabetizar é também formar a sensibilidade e a solidariedade. Que causas sociais defendem nossos candidatos? Que história de vida eles podem nos contar sobre isso? Uma cidadania sem amor ao próximo é uma palavra vazia de significado. É interessante observar que muitos candidatos que participam de colóquios em escolas, encontram dificuldades para falar para adolescentes ou jovens. Isso, por si só, revela uma falta de preparo para se dirigir a uma platéia sedenta por novos aprendizados. Muitos entrarão em escolas que aprenderam o significado do trabalho em rede. Cruzarão em outros momentos com espaços educativos sérios falando de temas humanos e alfabetizantes. Basta um mergulho na cidadania juvenil que ficará fácil perceber expressões fortes como Tribos nas Trilhas da Cidadania, Vida Urgente, Pastoral da Criança. Outras andanças permitirá que esses candidatos possam  conhecer o nível de compreensão social existente em todos os lugares. Um  plano de governo sério não pode passar batido diante de uma tema como bullying. Não basta apenas uma lei. Que planos concretos na área educativa cada um possui?

Bertolt Brecht quer nos fazer pensar sobre a alfabetização política. Bem vindos às aulas de vida cidadã. Bem vindos a espaços formadores de ética, de valores e de um pensar a palavra política como algo que seja fruto do bem comum. Vamos por mãos na massa.

Sobre o Autor

Prof. Carlos Alberto Barcellos
Coordenador da Ação Tribos nas Trilhas da Cidadania nas escolas Menino Deus e Maria Imaculada em Porto Alegre

7 comentários

  1. SERGIO A. HICKEL disse:

    ESTE APERFEIÇOAMENTO PARA ACONCIENTIZAÇÃO POLITICA
    PASSA PELA LEITURA,PELO CONHECIMENTO DE NOSSO PAIS,DE NOSSO ESTADO .PASSA POR UMA EDUCAÇÃO EFETIVIVA SOBRE O RESPEITO AS LEIS,SEM QUERER TER
    VANTAGENS E PREVILÉGIOS.SOMOS TODOS SERES POLITICOS E NÃO PODEMOS FICAR ALIENADOS EM RAZÃO
    DA CORRUPÇÃO E DA DECADENCIA MORAL QUE ASSOLA
    ESTE PAIS EM TODOS OS NIVEIS.

  2. Fernando Quintino disse:

    Sergio,

    O seu discurso esta perfeito e concordo ipsis literis com o que dizes, precisamos encontrar caminhos de mobilizar as pessoas para participar ativamente na politica, cobrando dos politicos nos quais votou, no prazer de falar de conversar sobre as politicas publicas.

    Projetos que estimulam a participacão cidadã estão começando a brotar na web, de uma olhada nesse http://www.cidadedemocratica.org.br e um øtimo bovap.com.br, vale conhecer

  3. sonia kasper faillace disse:

    Parabéns, professor Carlos Alberto, pela lucidez de seu texto. São colegas com o seu perfil que as escolas precisam urgentemente, pois sós assim estarão aptas para co-partiparem no desenvolvimemnto integral do aluno que vive nesta sociedade tão fragmentada do século XXI.
    O amor ao conhecimento e à verdade devem pautar os planejamentos escolares, tornando-se fonte perene de aprendizagem.
    Precisamos noos engajar numa campanha permanente para cultivar na escolas as vivências de solidariedade, paz e justiça – e assim estaremos contribuindo para que um “outro mundo seja possável”.
    Que o seu trabalho sirva de modelo para todas as escolas gaúchas! Prof. Sonia Kasper Faillace

  4. EDILENE AMARAL disse:

    Você pode ser um grande voluntário conhecendo a proposta de lei DOMITILA BELÉM,divulgando-a na internet,repassando para os seus amigos,acreditanto que juntos temos condições de mudar este país.
    Se você concorda com A proposta de lei Domitila Belem , é só enviar um e-mail para gsadia@senado.gov.br dizendo SIM, eu apoio a proposta de lei Domitila Belem
    Peça aos seus amigos para fazer o mesmo.Enquanto ficarmos de braços cruzados o dinheiro público vai servir para a boa vida e a farra de muito político, mas se entrarmos na batalha,sairemos vencedores.Sabe por quê? Alguém vai sentir medo de não nos dar ouvidos e apoio.

  5. EDILENE AMARAL disse:

    Proposta de Lei DOMITILA BELÉM

    Esta lei destina-se a apoiar financeiramente, com um benefício no valor de 40% do salário minimo, pago mensalmente, sempre reajustado conjuntamente, à mesma época, do reajuste do salário minimo , o universitário, baixa renda, que cursa a universidade pública desde que observado os seguintes itens:

    a) Tendo sido aluno da escola pública durante todo o ensino médio regular ou supletivo EJA;
    b) Não seja filho,pai,mãe ou conjuge de pessoa que ocupe cargo eletivo;
    c) Só ocupar emprego de cargo público através de concurso público, e que a sua remuneração alcance de 1 a 3 salários mínimos, compondo também , para valor bruto da sua remuneração, as gratificações especiais, assim como as previstas na CLT,caso o mesmo as receba;
    d) Tendo sido candidato aprovado em vestibular ou ENEM para vaga de qualquer curso oferecido pela Universidade Pública,tendo o candidato optado pela ampla concorrência ou vaga de cotista, em cursos presenciais ou à distância.
    e) Não tenha praticado ato ilícito que tenha culminado em sentença já julgada que o considerou culpado;
    f) Esteja em dia com as suas obrigações eleitorais;
    g) Se do sexo masculino esteja em dia com as suas obrigações civis e militares;
    h) Ser brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos e residente na República Federativa do Brasi por no minimo 10 anos ininterruptos.
    l) For desempregado, autônomo,aposentado, desde que sua renda não ultrapasse 3 salários minimos.
    m) O Universitário que, além dos requisitos já mencionados nesta lei, seja membro ou titular do benefício BOLSA FAMÍLIA,aposentado,ou pensionista, não perderá o benefício que já possui nem deixará de ter direito ao BENEFICIO UNIVERSITÁRIO BAIXA RENDA se SOMENTE após somar este último benefício ,regido por esta lei ,a renda do universitário ultrapassar os 3 salários minimos.

    A perda do Benefício ocorrerá quando:

    a) O universitário fechar a sua matrícula por um período superior a 6 meses desde que por motivo que não seja doença pessoal ou de dependentes, pais, filhos ou conjuges,por motivo de acidente, ou catástrofe que deixou sequelas físicas ou mentais, e comprovadas por laudo do médico responsável pelo tratamento e reaabilitação da pessoa a que esta lei se refere;
    b) O universitário for reprovado em dois períodos consecutivos;
    c) O universitário cometer ato ilícito que durante o seu tempo de curso seja julgado como culpado:
    d) O universitário,ou qualquer dos seus pais, for eleito para cargo eletivo;
    e) O Universitário consiga emprego ou promoção que aumente a sua renda de maneira que seja superior a 3 salários minimos;
    f) O universitário faça uso do Benefício para o uso de bebidas alcoolicas, fumo, drogas, ou ainda para a estadia em hotéis, acompanhado por pessoa que trabalha no ramo da prostituição;
    g) Usar de fraude, posteriormente confirmada, para obter este benefício , o que além do ressarcimento corrigido da quantia já recebida o universitário responderá pelos crimes de danos aos cofres públicos e à sociedade.
    h) Conclusão do curso universitário,informado pela instituição de ensino.
    g) Morte do beneficiado

    PAGAMENTO E USO DO BENFÍCIO UNIVERSITÁRIO BAIXA RENDA

    O benefício será depositado mensalmente, inclusive no período das férias ou greves uuniversitárias, em conta universitária do beneficiado,conta aberta no BANCO DO BRASIL ou CAIXA ECONÔMICA, e poderá ser usado como pagamento,em espécie ou como cartão de crédito, com limite anual, na obtenção de materiais, serviços ou produtos do tipo:

    a) Computadores e itens de informática
    b) Livros, CD’s, DVD’s de conteúdo educacional;
    c) Vestuário
    d) Calçados
    e) Aparelho Celular e créditos para telefone celular
    f) Alimentação
    g) passagens aéreas e terrestres
    h) material de higiene pessoal
    i) Estadia em hotéis, pousada ou pensõesJustificar
    j)tratamentos de saúde e Medicamentos
    l) óculos
    m) empréstimos
    n) Qualquer material que tenha relação ao curso em que o beneficiado está matriculado.

    Parágrafo único: O universitário que fizer transferência voluntária para outro curso universitário da rede pública em qualquer univeridade do país e obtiver classificação à vaga concorrida , nao perderá o benefício regido por esta lei.

  6. carlos alberto barcellos disse:

    Fico honrado com depoimentos desse nível. O espírito do mesmo é que nos sintamos provocados a agir de uma forma cidadã nesse processo eleitoral. Votar é uma parte dessa aula de alfabeitização política. Há que se percorrer muitos caminhos. Vamos propagar nossas idéias de formação e multiplicar cidadania. A indiferença é uma das faces mais cruéis da alineação. Somos portadores dessa capacidade de inquietar a cidadania presente em todos nós. Façamos isso de forma especial com a JUVENTUDE.

  7. Sacolas Ecologicas disse:

    o titulo ja diz tudo

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