Qual candidato fala em terceiro setor?

As campanhas políticas são geralmente muito semelhantes. Mudam apenas os personagens. Como nós, eleitores, não temos a certeza de que o candidato fará o prometido, resta-nos apenas acreditar e depositar nosso voto de confiança. Entre os assuntos de destaque, afora os que estão na moda, escutamos sempre a educação, a violência, o desemprego, entre outros, mas alguém já escutou nesta época algum candidato falar em organizações sociais que representam o terceiro setor?

A sociedade é formada por três setores: governo (primeiro), empresas (segundo) e sociedade civil organizada em causas (terceiro). Para se ter uma ideia, este último é formado por nada menos que 12 milhões de pessoas em nosso país e corresponde a 5% do Produto Interno Bruto brasileiro, segundo pesquisa da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. São mais de 300 mil organizações sociais. Apesar desse cenário, em todas as eleições, raramente se debatem políticas sérias e de melhorias para organizações e instituições que diariamente trabalham para melhorar a vida de um número enorme de pessoas.

Muitas vezes, ao considerar o terceiro setor como o irmão mais fraco que precisa de ajuda, os candidatos criaram no imaginário popular um pré-conceito que desvaloriza ambos, isto é, quando um político visita creches, asilos, casas para pessoas com necessidades especiais, esta ação ficou banalizada, tachada de tentativa de angariar votos com gestos fraternos. Agora, só há uma saída para reverter esse quadro: trazer à tona a verdadeira força e pujança da sociedade civil organizada que trabalha em causas de interesse público, através da proposta de políticas públicas sérias que o coloque no mesmo patamar da saúde, da educação, da geração de empregos etc. Políticas públicas que favoreçam a transparência do terceiro setor, separando o joio do trigo.

Eleitores de primeira viagem, muitos jovens que pela primeira vez participarão desse ato da democracia também estão atentos a questões ligadas ao terceiro setor. Como muitos vêm de escolas que adotam políticas de voluntariado, proteção ao meio ambiente, entre outras ações, certamente irão se identificar com aquele candidato que, além de falar sua língua, dê a mesma importância para iniciativas que valorizem o próximo. Isto sem falar nos milhões de colaboradores de empresas que, periodicamente, dedicam seu tempo, seu conhecimento e sua emoção a atividades solidárias.

A cada eleição, percebemos como as atenções se dirigem para determinado foco. E está na hora de esse foco ser o terceiro setor. Não para “estar na moda”, mas porque efetivamente colabora com o desenvolvimento do Brasil através das ações que organizações sociais realizam diariamente em seus bairros, atingindo um contingente de milhões de beneficiados. O resultado do terceiro setor é um ser humano transformado, conforme Peter Drucker, o guru da administração.

Sobre o Autor

Maria Elena Pereira Johannpeter
Maria Elena é Presidente (Voluntária) da ONG Parceiros Voluntários, integra instituições como a Schwab Foundation, da Suíça, o Conselho Deliberativo da Federasul, o Conselho de Cidadania da Federação das Indústrias do RS e o Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

7 comentários

  1. Antonio da Rosa disse:

    Prezada Maria Elena,
    Concordo com seu comentário e acrescento o link:
    http://www.minhamarina.org.br/diretrizes_governo/governo/terceira-geracao-programas-sociaisv2.php
    Trata-se das Diretrizes de Governo do Programa de Marina Silva Presidente. A preocupação existe, serão apenas promessas?
    Um abraço,
    Antonio

  2. Luiz Fernando Opitz disse:

    Estimada Presidente
    Concordo com seu editorial.
    Peço sua permissão para acrescentar o que segue.
    Acredito que o terceiro setor está engatinhando nas questões de participação política.
    Penso que devemos nos mobilizar e quem sabe comprometer um ou mais candidatos com nossa causa.
    É importante que possamos formar uma frente parlamentar do terceiro setor a exemplo de tantas outras frentes existentes e que defendem os interesses de seus setores.
    Se me permites, entendo que senhora em conjunto com a Parceiros são a pessoas mais capacitada para dar início ao movimento de busca de adesões à formação de tal frente.
    Um cordial e fraternal abraço

  3. Manoela Onofrio disse:

    Prezada Maria Elena,

    Achei o tema do artigo extremamente interessante e sem sombra de dúvida relevante durante uma eleição, e concordo que mais atenção dos candidatos ao terceiro setor seria importante.
    Entretanto, existem dois pontos que ficaram de fora do seu artigo, e acredito que são essenciais nesta discussão: em primeiro lugar, é de responsabilidade das próprias ONGs realizar advocacy, ou seja, lutar por melhorias de políticas públicas na sua área de atuação. Cada organização tem uma área de especialidade, e é justamente nesta área em que a ONG pode ser mais eficaz em sugerir mudanças. Não como um setor uniforme e homogêneo, como sugere o senhor Luiz Fernando (comentário acima), pois cada organização exerce seu papel em diferentes setores da sociedade (educação, saúde, ambiente, etc). O segundo ponto importante é que já existem diversas estruturas governamentais que permitem a participação de ONGs na criação e implementação de políticas públicas, posso citar como exemplos o Conselho de Saúde (nível federal) ou até mesmo o Orçamento Participativo em Porto Alegre (nível municipal). Novamente, cabe as ONGs ocuparem estes espacos adequadamente. Espero ter contribuído com a discussão. Um abraço,
    Manoela Onofrio

  4. Rodrigo Almeida disse:

    Pessoas, que no momento trabalha ou almeja começar algum projeto com entidades do 3º Setor, ae vai minha dica. nos dias 25 e 28 de Agosto de 2010, será realizado um curso de Gestão Financeira Para Entidades do 3º Setor e Como Montar e Organizar Uma Ong.

    Curso é Ministrado Pelo Sr. Luiz Antonio Rodrigues, Formado em Adiministração, Técnico em Contabilidade e experiência com o estudo das entidades do 3º setor.

    Fizemos esse curso a 3 meses, e hoje colocamos em práticas todo o aprendizado em nossa instituição.

    Att. Rodrigo.

    Ah se estiverem interessado hotpage: http://cthtassessoria.blogspot.com/

    Entrem em contato um curso muito produtivo.
    Aconselho a Todos

    Obrigado

  5. Jairo Macedo Sierra disse:

    Prezada Maria Helena;

    São sensacionais suas idéias manifestadas neste post.
    Sim. Sua visão está 100% correta. Os políticos tradicionais falam pouco de terceiro setor mais por medo do que por indiferença ou mesmo falta de conhecimento sobre atuação social.
    Falar em terceiro setor significa falar sempre em sociedade civil organizada. Isto significa uma sociedade civil coesa e homogênea. Uma sociedade civil que passa a ter vez e vóz. que se indigna com a indefernça governamental, que cobra posição, luta, arregimenta pessoas, mobiliza recursos, e melhor, com isso mobiliza a quase amnésica opinião pública para derrubar governantes, para protestar, para exigir uma contraprestação mínima em relação à quota de esforços pagas ao Estado em forma de tributos dos mais diversos. .
    È desta sociedade civil que eles tem medo. Daquela que se politiza para não mais esquecer as afrontas atiradas no rosto. Que mostra que tem sede de conhecimento, que estuda, que se atualiza e que não se deixa mais ser enganada.
    Além da idéia da Frente Parlamentar do Terceiro Setor já exposta em um comentário aqui mesmo neste blog, eu sugeriria um movimento de nível nacional para politização.
    Não digo politização no sentido da militância político-partidária, mas um movimento que tivesse por objetivo social despertar a população para a barbárie política que se repete de quatro em quatro anos.
    Seria ao meu ver um movimento da sociedade civil que tivesse por missão educar politicamente amplos setores da população para que este se capacitassem a inserir em seus bairros, comunidades famílias a noção de que cidadania não quer dizer apenas escolher de tempos em tempos as pessoas que vão nos enganar por mais um mandato, mas que tivessem noção de que uma verdadeira e eficaz “opinião pública” precisa ser trabalhada, treinada, instruída, enfim, precisa ser despertada.
    Enquanto isso não ocorre continuaremos recebendo deles aquilo que eles sempre nos deram: “panis et circensis”.

    Att.

    Jairo Sierra
    Advogado militante no direito do terceiro sertor.
    Membro da Comissão de Direito do Terceiro Setor da OAB/SP
    Membro do Instituto Brasileiro de Advogados do Terceiro Setor.

  6. sergio a hickel disse:

    A PRATICA DA DEMOCRACIA EXIGE A COBRANÇA DE NOSSOS CANDIDATOS.QUEM ESQUECE O NOME DO CANDIDATO EM QUEM VOTOU NÃO VAI PODER COBRAS AS PROMESSAS FEITAS EM CAMPANHA.É PRIMORDIAL SABER AS ATIVIDADAE DE NOSSOS ELITOS,OU PARA RECONDUZI-LOS AO CARGO
    E PARA TAMBEM NÃO VOTAR MAIS EM QUEM FRUSTROU NOSSAS EXPECTATIVAS.

  7. Sacolas Ecologicas disse:

    a materia como um toso esta de Parabéns muito interessante

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