Voluntários do Amor
O que leva um voluntário a dedicar a sua vida ao outro? Na verdade, é uma lei da vida, é uma característica humana. Realmente, só quando ama e se dá aos outros, o ser humano consegue se realizar plenamente e, graças às variadas formas de solidariedade, a sociedade pode tornar-se mais digna.
Para aqueles que acreditam no amor de Deus, o voluntariado tem uma expressão ainda muito mais ampla e profunda. Afinal, Ele revelou o amor como sua lei suprema. Em 1Jo 4.7-8, Ele diz: “Queridos, amemos uns aos outros porque o amor vem de Deus. Quem ama é filho de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não o conhece, pois Deus é amor”.
Podemos entender que gratuitamente recebemos a vida e gratuitamente recebemos nossas habilidades. O amor que distribuímos também é gratuito, não é por mérito, nem motivo de orgulho. E a graça de distribuí-lo é uma ação que depende de nossa decisão, absolutamente voluntária e pessoal.
Movidos pelo amor, nossas ações demonstram este amor, pois não se trata apenas de satisfazer as necessidades corporais como a fome, a sede, a falta de casa. Nosso cuidado e atenção possibilitam que o outro experimente pessoalmente o amor.
É claro que o Estado certamente pode e deve criar condições favoráveis para o bem estar da comunidade, mas o amor ao próximo exige sempre nosso compromisso individual. Isto porque o estado até pode proporcionar uma melhora em algumas questões da qualidade de vida, mas, o amor que necessitam não pode chegar até eles pelas instituições públicas.
Não somos tapa-buracos das ações que o Estado não consegue cumprir, nosso trabalho sempre será totalmente necessário, pois mantemos a dimensão humana e, principalmente, porque podemos conviver, repartir, estar perto e é isto realmente o que precisa aquele que vive em constantes privações.
Ainda, o trabalho voluntário também é fonte de fortalecimento de nossa vivência nos relacionamentos. Nestes espaços estamos em contato íntimo com outros que vivem o mesmo amor e podemos experimentar a alegria do amor desinteressado, que é a fonte da verdadeira felicidade.
Creio que através de trabalhos tão maravilhosos como é o da Parceiros Voluntários, nossa sociedade se conscientizará desta maravilhosa tarefa e anseio ver muito em breve um grande e verdadeiro exército de esperança para o mundo.
Este serviço pode ser direcionado aos pobres, idosos, enfermos, presos, abandonados, adolescentes, excluídos, solitários, privados de afeto, àqueles que estão em vivência de dor ou em qualquer situação de vulnerabilidade. Na verdade, nossa tarefa é a valorização das pessoas como seres humanos e cidadãos do mundo e nosso método é a educação pelo amor.
Também não basta apenas irmos de encontro a quem vive com estas dificuldades, é preciso estarmos preparados e treinados para sermos continentes aos seus anseios de amor e cuidado e à falta de conscientização de seus direitos, deveres e valores próprios e culturais da sociedade da qual fazem parte.
E, quando estivermos firmes e conscientes de nossa missão, sejamos recrutadores de pessoas que queiram servir junto a este grande exército. Muitas vezes, os voluntários estão apenas tímidos e inseguros, bastando um chamado terno como: “Tu és capaz, precisamos de ti”.
Apesar de nossa simplicidade humana, temos uma diversidade maravilhosa e cada um de nós tem uma tarefa especial que pode ser realizada com todo o empenho. Não precisamos ter medo porque aqueles que mais necessitam são os que dão o maior exemplo de coragem.
Quando hoje se fala em Responsabilidade Social, cuidado com o planeta, podemos entender como um chamamento para assumirmos nosso compromisso solidário e nossa vivência de justiça.
As pessoas comprometidas demonstram consideração o que fortalece a dignidade humana e proporciona alegria e esperança. Este comprometimento está baseado na forma de olhar, que deve ser com os olhos abertos pela compaixão.
A Bíblia nos conta que um sacerdote quando viu um homem quase morto, tratou de passar pelo outro lado da estrada. Há muitos que fingem não ver, demonstrando a indiferença de nossos dias. Ele olhou com os olhos fechados, com os olhos da falta de comprometimento com a dádiva do amor que recebe. Olhar com os olhos abertos é compreender a condição de sofrimento e necessidade que se encontra o nosso próximo.
Muitos se perguntam o que fazer, como fazer e quando fazer. A resposta é muito simples, fazer o que gosta, o que sabe, do jeito que melhor se adapta e quando pode. Para a escolha do trabalho voluntário é preciso uma reflexão sobre o que mais lhe comove e sobre os dias e horas mais disponíveis. O importante é o comprometimento com a tarefa que assumir e com o tempo que disponibilizar.
As maiores qualidades de um voluntário são: solidariedade, amor às pessoas, preocupação sem preconceitos, humildade e delicadeza, em resumo, muita ternura.
Ser voluntário é estar disponível e comprometer-se nesta disponibilidade para o outro.
Precisamos muito de ti.
Abraços cheios de ternura.
Sobre o Autor
Lea Fuhr Weber
Lea é Psicóloga clínica, com Mestrado em Psicopatologias do Desamparo e Consultora da ONG Parceiros Voluntários.
12 comentários
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Claudia disse:
Querida Lea e parceiros dessa caminhada,
que alegria ler essa convocacao cheia de alegria, compromisso e amor a Causa. essa caminhada nos ensina, nos aproxima e nos mostra a Humanidade que contem em nos.
Sim, venham! Vivenciem a pratica voluntaria e depois, partilhem seus sentimentos!!Um beijo
Claudia -
MARIA MARGARIDA BAGGIO DI SOPRA disse:
Cara Léa! Muito interessante seu texto. É um acordar para atuarmos nos espaços não bem atendidos pelo Estado, o que não significa substituí-lo. E fazer tudo com a amorosidade característica do ser humano…
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Lucia F. S. Horbach disse:
Olá Léia!
Nossos jovens da Tribo aqui de Quinze de Novembro ainda hoje perguntaram se não teríamos mais cursos como o que ministraste aqui ano passado. Que bom te encontrar neste espaço. Precisamos também de voluntários e de solidariedade com o meio ambiente, com o cuidado com o nosso Planeta Terra. A questão da ternura para com o nosso planeta também é muito importante pois “só amamos aquilo que conhecemos”. Um abraço… Lúcia -
Rosangela disse:
Oi Lea! gostei muito do teu texto, sou coordenadora da tribo “Pílulas Da Alegria” do Colégio Menino Deus – Passo Fundo R/S, e estou apaixonada pelo voluntariado, é algo que não se explica, presenciar o trabalho da tribo que se dedica de coração e a expressão de alegria das crianças e idosos atendidos pelo projeto é muito satisfatório. Também espero que mais pessoas descubram este prazer em ser voluntário, o mundo precisa destes heróis do amor. Um grande abraço e parabéns pelo trabalho!!!Rosangela
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Raul Eduardo Lacerda de Freitas disse:
Olá Lea!
Parabéns pelo texto.
Fico muito feliz quanto pessoas na nossa sociedade falam abertamente em DEUS e AMOR como você fez no seu texto. Digo isso porque parece que se tornou ultrapassado justamente fala ou escrever. Não concordo.
Foi na nossa PV que aprendi a força do termo “organizado”.
Faço e acredito no voluntariado como forma de crescimento da nossa sociedade com equilíbrio social.
Sim precisamos de mais pessoas com o seu tempo, conhecimento, talento e coração para que possamos fazer a diferença. Basta começar. Vale a pena!
Abraços com saúde e sucesso. -
Pr José Daniel Steimetz disse:
Sábia palavras, Léa. Que Deus continue abençoando o teu trabalho, família e vida, bem como a Parceiros Voluntários que tem prestado inúmeros serviços ao povo gaúcho, quer no atendimento direto ao necessitado, quer no oportunizar a quem quer ajudar, esta possibilidade.
Parabéns Léa.
Parabéns Parceiros voluntários.Pr José Daniel Steimetz, representante da Igreja Evangélica Luterana do Brasil – IELB, no PPV.
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Ivone disse:
Léa!
Gostei muito do seu texto ele expressa exatamente o que você é, como pensa e como age. Já tive o privilegio de ler outros artigos publicados em revistas e jornais e sempre fazem muito bem, nos remetem a reflexão sem a qual não podemos mudar.
O Estado precisa garantir políticas públicas de direito aos seus cidadãos, mas só isto realmente não basta. As pessoas independente de cor, credo, raça, sexo precisam mais do que comida, trabalho, saúde, escola. Numa sociedade capitalista é claro que precisamos TER mais sem o AMOR jamais vamos SER.Um Bjão
Ivone
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Alessandra Graciele Gauer Saldanha disse:
Léa, parabéns, lindo texto, com o verdade sobre o que significa ser um voluntário!
Como coordenadora dos Tribeiros nas Escolas São Mateus e Santa Cruz costumamos perguntar aos alunos: Você já abraçou muito hoje? Incentivando para que desde pequenos sejamos seres humanos capazes de nos doar e receber o próximo!
Um grande abraço! -
Jane Saleti Leite da Silva disse:
Léa achei lindo este texto acho que, todas as pessoas podem se tornar parceiros do amor, é só acreditar em deus e dar amor , carinho, compartilhar o que temos de bom dentro de nós, isso é possível haja visto a quantidade de parceiros que, existe e cada dia cresce mais, isto é uma dádiva para todos nós que, fazemos parte dessa família parabéns e um grande abraço!
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Mix Curitiba disse:
Texto muito inspirador… parabens a todos os voluntariados
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Heider Costa disse:
Muito bom esse blog, pois nos proporciona momentos de interação e partilha de experiências.
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Sacolas Ecologicas disse:
muito bacana